

De acordo com um historiador francês chamado Pierre Nora, o lugar de memória é um espaço físico ou simbólico, onde a memória pessoal ou coletiva se fixa. Ou seja, vai muito além do lazer que muitos imaginam. No individual, temos as lembranças afetivas, como um primeiro amor, primeira vez de uma criança ou um adulto vendo o mar, ou até mesmo uma viagem entre familiares. No coletivo, pode também ser uma lembrança, como viagem em família, já que você estará dividindo um momento com seus parentes e/ou amigos. Mas, também pode-se dizer que é como aquela amizade que você fez na praia quando criança, aquela amizade que você talvez nunca mais a veja, mas que foi verdadeira e que ficará ali na sua memória por muito tempo. A praia pode também ser local de memória coletiva, como um cenário de eventos históricos, manifestações culturais, movimentos sociais, como por exemplo: a praia de Copacabana, que se tornou por diversas vezes palco de vários shows de artistas incríveis, réveillon ou até mesmo rituais religiosos (o dia de Iemanjá).
Existem diversas formas de tornar a praia um lugar de memória tanto no pessoal quanto no coletivo, vai apenas depender do momento.

Antes de tudo, vamos entender o significado da palavra “sociabilidade”: sociabilidade é a capacidade ou o ato de convivência social, ou seja, o modo como as pessoas interagem entre si em grupo, estabelecendo laços, regras, normas, além de trocas simbólicas e afetivas.

A praia tornou-se um espaço privilegiado por ser público, gratuito, democrático e acessível. Além disso, também é palco de diversas atividades de lazer coletivo, como vôlei de praia, futebol de areia, futevôlei, surfe entre outras. O diferencial é que a praia reúne e permite encontros de diferentes classes sociais, idades e culturas promovendo interações espontâneas. Essas práticas estimulam o convívio social e o reconhecimento de diferentes realidades, tornando a praia um ambiente dinâmico de trocas sociais e construção de vínculos.

Portanto, o melhor de tudo isso é perceber e entender que a praia vai muito além de seus fins recreativos. Ela também é um território simbólico de lembranças e construções de vínculos sociais. Preservar seu caráter público e inclusivo significa manter uma das formas mais autênticas de interação social, aquela que acontece entre o mergulho no mar e os pés na areia, entre conversas e olhares perdidos no horizonte infinito do oceano.
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