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Os sons de Alentejo... Curiosidades sonoras de Portugal!
em 26/06/2025 23:36
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Quando se trata de música, muito pouco se fala por aqui em terras tupiniquins sobre a música portuguesa, até por que junto aos ritmos africanos e indígenas, são uma das principais influências no que conhecemos como música brasileira hoje. Hoje vim trazer para vocês um pouco sobre alguns dos principais ritmos das terras de além de tejo…  

 

Fado

 

A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, “destino”, é a mesma palavra que deu origem às palavras fada, fadario, e “correr o fado”. Uma explicação popular para a origem do fado de Lisboa remete para os cânticos dos mouros, no entanto, tal explicação não está inteiramente comprovada. Apesar de não existirem registos do fado até ao início do século XIX, era conhecido no Algarve, último reduto dos árabes em Portugal em 1249, e na Andaluzia, onde os árabes permaneceram até aos finais do século XV. Outra origem é do escandinavo “fata”, que significa vestir, compor, que teria dado origem, segundo outra teoria, no francês antigo ao termo “fatiste” que significa poeta. “Assim evita o fado é uma degeneração da xácara, que pelas transformações sociais, substituiu a canção de gesta da Idade Média”. No essencial, a origem do fado é ainda desconhecida, mas, certo é que, surge no rico caldo de culturas presentes em Lisboa, sendo por isso uma canção urbana.

 

O fado moderno iniciou-se e teve o seu apogeu com Amália Rodrigues. Foi ela quem popularizou fados com letras de grandes poetas, como Luís de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello, e outros. Também João Braga tem o seu nome na história da renovação do fado, pela qualidade dos poemas que canta e música, dos autores já citados e de Fernando Pessoa ou Manuel Alegre, e por ser o mentor de uma nova geração de fadistas. Acompanhando a preocupação com as letras, foram introduzidas novas formas de acompanhamento e músicas de grandes compositores. Atualmente, muitos jovens juntaram o seu nome aos dos consagrados ainda vivos e estão dando fôlego a esta canção urbana.

 

O fado dito “típico” é hoje em dia cantado principalmente para turistas, nas “casas de fado” e com o acompanhamento tradicional. As mais tradicionais casas de fado encontram-se nos bairros típicos de Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa. Mantém as características dos primórdios: o cantar com tristeza e com sentimento mágoas passadas e presentes. Mas também pode contar uma história divertida com ironia ou proporcionar um despique entre dois cantadores, muitas vezes improvisando os versos – então, é a desgarrada. Mais recentemente, a canção Fado Boêmio e Vadio, interpretado por Piedade Fernandes, esteve dentre a trilha sonora da conhecida série La Casa de Papel (2017), na temporada original transmitida originalmente pelo canal de televisão aberta espanhol Antena 3.

 

 
 
Vira

 

O vira é uma dança tradicional de Portugal. É mais popular na região do Minho, mas é executada em todas as regiões.  Tem um ritmo de três passos que é muito semelhante a uma valsa, mas é mais rápido, e os casais dançam frente a frente sem dar as mãos. Outra maneira de dançar o vira é a seguinte: pares combinados formam um grande círculo que gira inversamente no sentido horário, enquanto os dançarinos estalam os dedos. Em um certo ponto, os meninos deixam seus pares no círculo e vão para o centro, onde batem no chão com o pé direito e retornam, recuando para seus respectivos pares. O círculo começa a girar novamente e, na próxima vez que o círculo parar, serão as meninas que irão para o centro. Eles fazem isso alternadamente. Alguns compositores portugueses adaptaram o vira nas suas composições. Por exemplo, Manuel Raposo Marques (1902-1966) incorporou-a numa obra coral gravada pelo Orfeon Académico de Coimbra. Aqui em terras tupiniquins, o ritmo ficou conhecido principalmente após o grupo Mamonas Assassinas (1995) ter referenciado o vira Arrebita do cantor Roberto Leal, em sua música Vira Vira

 

Rock

 

Mesmo não sendo um estilo originalmente português, como o Fado e o Vira, o Rock'n Roll também tem seu espaço. Além de bandas nacionalmente famosas, uma das edições internacionais do Rock in Rio acontece na capital portuguesa (bem como em Madrid e Las Vegas, além, claro, da sede original do festival, o Rio de Janeiro). De 1960 até 1974 o rock cresce em Portugal, por meio de grupos estilo Shadows como o Conjunto João Paulo, Quinteto Académico, Os Celtas, os Diamantes Negros de Sintra, os Gattos Negros de Victor Gomes, entre muitos outros, mas o êxito iria estar reservado para o período de 1967 até 1974. Já em inícios da década de 1970 começa a caminhar-se para o Rock Progressivo, com grupos como os Petrus Castrus com o seu álbum “Mestre”, Ephedra, Filarmónica Fraude que lançam o LP “Epopeia”. 

Com o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, a maioria dos grupos rock da década de 1960 desaparece; surgindo outros de grande qualidade como os Arte e Ofício, os Xarhanga, Os Perspectiva, e os, Tantra. Nos anos 80 surge Rui Veloso, e aparece uma imensidão de bandas, quase todas efêmeras – Trabalhadores do Comércio, Táxi, Roquivários, Grupo de Baile, António Variações, Salada de Frutas, Heróis do Mar, Sétima Legião e Adelaide Ferreira (cujos álbuns Amantes e Mortais foi considerado nos EUA o melhor álbum de Hard Rock Português até agora) e Lena D'Água - são algumas das bandas que agitaram o panorama nacional chegando aos tops de vendas provando que havia mercado para este tipo de rock comercial, captando a atenção quer dos média, quer do público. Composta por duas figuras importantes, dois verdadeiros “pais” do rock português, António Garcez e Filipe Mendes. Em 1982, saltaram para a ribalta os GNR, oriundos do Porto, criando uma grande legião de fãs, dois anos após a formação da banda, com o lançamento do single “Portugal na CEE”. Porém, só em 1986 é que saltaram para as tabelas de vendas com o álbum Psicopátria, tendo sido, vários anos depois, em 1992, a primeira banda nacional a encher um estádio de futebol, num concerto ao vivo, nos espectáculos de promoção do álbum Rock in Rio Douro, com cerca de 40.000 espectadores.

 

Atualmente, com o mais fácil acesso à internet, muitas bandas têm-na usado para divulgar o seu trabalho, circundando o clássico uso de editoras, sendo frequente o recurso a redes sociais. O crescente número de telenovelas nacionais tem auxiliado na divulgação de artistas nacionais. No panorama da música independente verificou-se um grande incremento de atividade, sobretudo através dos trabalhos das editoras Merzbau, Groovie Records, raging planet, Amor Fúria, Chaputa Records e FlorCaveira a par de edições e reedições de discos mais clássicos da cena portuguesa pela Rastilho e do regresso da Garagem Records às edições com o disco que marca também regresso dos Parkinsons e a edição de “Take me through Hell for I deserve it” o “disco perdido” dos Subway Riders.

 

 
 
Apesar disso, muita música internacional vem sendo consumida em terras portuguesas, com destaque para o funk/eletro funk e o trap brasileiros e o Kpop. E você, já sabia dessas curiosidades? Conta para gente qual ritmo te chamou mais atenção!
 
Um xero do Bentico
 

 

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