
Já parou para pensar que nós temos pequenas vozes na cabeça que nos dizem o que fazer? No fim das contas, é bastante comum criar longas conversas dentro de nossos pensamentos para esclarecer situações da vida, ajudar em um momento delicado no trabalho ou para criticar nossos próprios comportamentos. Na mente de Pete Docter, diretor da Pixar, essas vozes pertencem a cinco pequenas emoções que habitam uma central de controle dentro do nosso cérebro. Elas reagem aos acontecimentos do cotidiano e regem cada uma de nossas ações, conforme o que consideram certo ou errado. Em Divertida Mente, a nova animação da Disney, Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho tentarão ajudar a pequena Riley, de 11 anos, a passar por uma mudança brusca na sua vida.
A ideia surgiu quando Docter percebeu que sua filha, da mesma idade de Riley, estava se transformando de uma garotinha atrapalhada e adorável em uma menina muito mais séria e quieta. “Eu percebi que essa mudança é familiar para muitas pessoas, e até para mim mesmo”, afirma em entrevista por telefone a ÉPOCA. “Então eu me perguntei o que será que se passa conosco para nos sentimos assim”. Demorou 5 (cinco) anos para o projeto chegar aos cinemas, e agora poderá ajudar meninos e meninas – e os adultos que eles se tornarão – a aceitar os altos e baixos da vida.

Lançada em 2015, a animação Divertida Mente tem como protagonista a menina Riley, que se vê obrigada a mudar de cidade com os pais. Acompanhamos o seu processo de adaptação na vida nova e assistimos como as cinco emoções (Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho) regem o seu comportamento. Através de personagens lúdicos observamos o funcionamento cerebral de Riley e como ela se comporta socialmente.
Divertida Mente trata de um tema complexo (a máquina do nosso pensamento) a partir de uma abordagem singela e didática. Não por acaso, o longa-metragem recebeu os mais importantes prêmios de melhor filme de animação.

Assistimos não só o que se passa no dia-a-dia da garota como também de que forma esses sentimentos vão sendo processados. Riley descobre que irá se mudar de Minnesota para São Francisco por causa do trabalho do pai. A menina tem 11 anos quando toma consciência de que irá passar por essa complicada transição. Riley enfrentará portanto duas mudanças: uma externa e uma interna. Ao longo do filme acompanhamos o desenvolvimento da menina desde o momento que ela sai da barriga da mãe. Assim que a pequena bebê é segurada no colo vemos nascer também seu primeiro sentimento, a Alegria. Logo a seguir, precisamente 33 segundos depois, aparece o Medo e a Tristeza, outros sentimentos que a acompanharão durante o seu percurso. Mais tarde se juntará a Raiva e o Nojinho, outros dois afetos essenciais que disputarão o controle da sala de comando.
Riley é obrigada a deixar para trás o seu time de hockey (os Feras do Gelo), os amigos e a casa que tanto gostava. Seu dia-a-dia passa por uma mudança substancial. E não se trata aqui de demonizar ou louvar algum sentimento específico, todos eles são importantes para a manutenção da saúde psíquica da menina. Percebemos rapidamente como o Medo, por exemplo, é essencial para garantir a segurança da criança. Cada memória base é organizada de modo a moldar um aspecto da personalidade da Riley. Na menina várias ilhas coexistem: a Ilha da bobeira, da amizade, da honestidade, da família...

Após assistirmos a animação notamos como não existem sentimentos bons e ruins, todos os sentimentos são necessários para o nosso desenvolvimento psíquico.
Todos os sentimentos são importantes:
Ao contrário do que nos faz crer a sociedade contemporânea, a tristeza é essencial para a nossa vida. O nojo também é importante, porque de certa forma nos protege. O medo também não deve ser desprezado porque nos mantém em segurança.
A importância das memórias
Aprendemos a partir da observação do cérebro de Riley como acontecimentos externos repercutem em nós internamente e como a nossa personalidade está intrinsecamente relacionada às nossas memórias. Somos aquilo que vivemos e as memórias vão sendo armazenadas carregadas de sentimentos. A memória vai sendo apagada aos poucos e a metáfora das esferas que vão desaparecendo é precisa para retratar o que se passa na nossa mente. Não somos capazes de armazenar tudo aquilo que vivemos, por isso as recordações vão gradativamente sendo apagadas.
Mudar é preciso
O filme aborda como a mudança é um imperativo da vida: com o passar do tempo precisamos mudar e somos frequentemente colocados à prova. Muitas vezes acomodados na nossa zona de conforto, custamos a aceitar as mudanças que a vida nos impõe, mas a verdade é que somos constantemente empurrados para novas situações com as quais não sabemos inicialmente como lidar. Divertida mente nos ensina que se adaptar as novas realidades é preciso, ainda que seja um movimento difícil a princípio.

Riley
Riley é a protagonista do filme, acompanhamos o seu crescimento desde o dia do seu nascimento até a sua pré-adolescência. A garota é como qualquer menina norte-americana: sente medo, angústia, insegurança e ansiedade. Ela está aprendendo a lidar com o seu próprio corpo e com quem está a sua volta.
Assistimos o funcionamento do cérebro de Riley e é a partir dele que conseguimos entender o funcionamento das cinco emoções base: a Alegria, a Tristeza, o Medo, a Raiva e o Nojinho.
Alegria
Assim que Riley abre o olho ao sair da barriga da sua mãe aparece a Alegria, uma das principais emoções do centro de comando do cérebro da menina. Ao ouvir a voz do pai e encarar a expressão da mãe, a Alegria - que tem o corpo com o formato de uma estrela - comparece fazendo imediatamente Riley sorrir.
O erro da Alegria é o erro de muitos: achar que não devemos ficar tristes nunca. Todas as emoções são necessárias para nos preparar para os eventos da vida, elas nos guiam e têm propósito, trazendo significado às nossas experiências. A Alegria está presente em todos os momentos felizes da vida da garota e tem um papel central no seu bem estar.
Tristeza

A Tristeza é um sentimento essencial de Riley e fundamental para o amadurecimento da menina. Ao se deparar com situações inesperadas - como a súbita mudança de cidade - Riley se sente deprimida, sozinha, e a Tristeza ganha força. Fisicamente o corpo da personagem tem o contorno de uma gota e é azul.
Um dos ensinamentos de Divertida Mente é justamente a importância da Tristeza, que costuma ser deixada de lado sempre que possível na sociedade contemporânea.
Medo

O Medo é responsável por muitas das reações de repulsa de Riley, quando ele entra em ação a menina tem o impulso de escapar da situação em que se encontra o mais rapidamente possível.
Apesar de tendermos a menosprezar e a diminuir ao máximo o Medo, ele acaba por se provar como um sentimento essencial para a proteção do indivíduo.
Raiva

Baixinho, vermelho, com muitos dentes e engravatado, essa é a representação da Raiva de Riley. Quando as coisas não acontecem conforme o esperado, a Raiva entra em ação e domina a sala de comando do pensamento.
Em diversas situações chave vemos a menina se render à raiva, o sentimento começa a ficar especialmente potente quando Riley cresce e entra na pré-adolescência.
Nojinho

As situações em que Nojinho mais aparece envolvem a refeição, especialmente quando há brócolis no prato (Nojinho, aliás, é concebida com a cor e o formato de um brócolis).
Ao menor alerta de Nojinho, Riley imediatamente se afasta da circunstância que lhe provoca repulsa.


Os melhores tópicos estão aqui!
Rádio Habblet - Um novo jeito de fazer fã-site!


